Tenho hoje o prazer de falar por uma hora três dias na semana para uma audiência invisível. Eu explico. Falar em um programa de rádio provoca esta sensação. Acostumado com os olhares atentos, nem de todos eu confesso, e as expressões de aceitação ou não do que comunico na igreja onde eu sou pastor há nove anos, é muito diferente estar em um estúdio pequeno diante apenas de um microfone. Do outro lado, no entanto, um bom número de ouvintes tornam-se meus interlocutores.
Minha surpresa repousa no fato de que meus silenciosos ouvintes se tornam extremamente participativos, para não dizer agitados ou agressivos, quando faço uma reflexão ou respondo a uma pergunta que, ao invés de alimentar uma posição convencional e normalmente confortável, os provoca a pensar e pesar se suas convicções se encontram alinhadas com a palavra de Deus.
Sinto que pensar tem se tornado algo indesejado e desprezado por um número cada vez maior de evangélicos. É mais fácil e cômodo seguir a massa, acompanhar o fluxo, seguir a corrente, fazer sem questionar. Por que o desprezo ao diálogo e à discussão é tão forte em nossos dias nos círculos cristãos? Por que entender que toda dúvida “vem do maligno” quando a própria Palavra nos informa que o conhecimento da verdade nos liberta? Não seria então lógico dizer que o processo de libertação passa inclusive pela dúvida e pelo questionamento? Por que a dúvida e o questionamento tem desembocado em um processo de marginalização, exclusão e ódio?



Pastorais


